Chuva forte lá fora. A janela aberta. Eu e CSNY aqui dentro. Sim, estamos em cinco. Não gosto de ficar sozinha quando chove.
Penso em coisas que não deram certo. De “se” em “se” vou construindo o vazio do meu quarto minguante.
Duas trovoadas. Meu cachorro apavorado, molhado e fedorento pede pra entrar. Agora somos seis, pelo menos até a música acabar.
Em tardes de chuva gosto de reler antigas cartas, tenho uma caixinha com várias. Sou do tipo que guarda palavras. Até guardanapo rabiscado. Até mensagens de celular. Até o que não foi escrito.
Nunca mais recebi cartas. Isso é um pedido.
Meu cachorro dorme. Ele não conhece significante nem significado.
Hoje leio como leria um cão se soubesse ler. Tenho vontade de pegar centenas de palavras e jogar pro alto como fazem com cartas naqueles sorteios em programas de tevê. Deixar cair, espalhar pelo chão, pelo quarto inteiro, mergulhar nelas. Não segurar nenhuma.
A música pára.
A chuva pára. Meu cachorro pede pra sair.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
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16 outros delirantes
[os dias são caixas de surpresa... uma caixa de vinte e quatro lados, muitos metros de alturas improprias, muitos lados pedindo uma escalada, mas o tempo atormenta-se quando se tratam de familiares próximos: os dias]
abaixo as tempestades!
vivam os braços, abraços imensos
Leonardo B.
sozinha de novo?
pô...
bj
que bonito...
eu abri também cartas antigas - daquelas que a gente tem medo de abrir e se lembrar, pessoas com as quais nao falamos há anos.
exatamente assim.
tem carta que eu nunca mais vou ler.
dar palavra é quase que eternizar todo mundo.
Crosby, Stills,Nash & Young, são sempre boas companhias, Bruna, mas a solidão geralmente é mais um estado de espírito que de corpo. Tenho certeza que você sabe disso.
O texto? Excelente como sempre.
Beijos
Os cachorros odeiam trovoadas.. fico penoso por eles durante as tempestades e as noites de reveillon.
belo texto.
abs
sumida!
romério
e eu fico imaginando a sua voz, de chuva, a dizer tudo isso...
culpa sua!
... e foi então que, sozinha, sentiu no ar uma energia estranha... Para onde todos haviam ido? O cachorro latia, foi ver o que era, havia uma carta meio fora meio dentro da caixa de correio, ela podia ver!
A chuva cessara, dera-se conta somente agora... E agora? Um arco-íris seria bom, pensou. E fez-se o arco-íris no céu... Então, o céu se iluminou, os mares se abriram, e ela caminhou pela primeira vez muito muito leve por sobre as águas...
Procuro o acaso nas tuas palavras soltas. Ele não me vem. Por que minha bocarra não segura nada. Vocifera!
Deixá-las, todas, cairem é um drama que saliva meus olhos. Como um alimento que me é lançado e, velho e cansado, deixo cair.
Relembro o passado, farejando o próprio rabo:
... cão sentado em frente ao livro, com óculos sobre o fucinho, um cigarro entre os dedos das patas, babando a raiva da aporia dos signos...
Mas não posso.
Antes, lá fora, so li a chuva. O plic! e o plac!
E mão pesada da dona partilhando meu suor dissipado.
Entro. Logo saio, por que a música parou.
Todos os dias são de "bom tempo"!
:)
ouuu, mocinha-bruna, fica por conta da entrevista, fica, vai, fica?...
:D
Não pense, baixe. Aqui há uma versão de Wooden Ships dos CSN&Y, q espero, me deixe cheio de crédito.
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Bjo!
muito gostosa a maneira como escreve...como passa o que esta sentindo!
-adorei!
vou visitar mais vezes,com certeza!")
Thali-
Meu cachorro é minha companhia de solidões, mesmo quando só quer fugir da chuva. Melhor que ficar sem ninguém.
Beijos, Bruna.
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