sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Um baita desleixo. Quarto apertado, cheiro nauseante. Janela fechada. Cortina fechada. Corpo fechado. Formigas enfileiradas desenhando rostos impalpáveis no tapete verde. Formiga belisca o dedo médio do pé. Não importa. Já não dá pra sentir. Nada. Dentes amarelam. A boca quase outra. A minha boca. Biscoitos endurecendo nos sacos abertos. Farelo no queixo e no busto. Papel de chocolate grudado no lençol encolhido no canto da cama. Calor pouco é bobagem. Porta trancada desde sábado. Uísque quente no fim. Solo de bateria na (minha) cabeça. Dói pra burro. Cabeça explodindo em 3, 2, 1. Silêncio. Abro os olhos. Um braço de camisa fugindo da gaveta. Aquela meia mofada no tênis roxo tingido. A mesinha improvisada, Cervantes e Dostoiévski servindo de base. Alívio. Coisas que reconheço. (Uísque no biscoito de isopor faz cola. Cola no papel, papel no guarda-roupa: lembrete). Lembrete: sair nunca mais.
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6 outros delirantes
beat lírio
nick lilás
:)
um beijo, linda.
escreveu, finalmente!
continue assim, mas saia do quarto! rs
bju
Houve tempo que a ficção pura me deliciava mais que o real. Hoje sou outro e assim será/é preciso reinvenções das minhas papilas.
Quase perdi, de todo, esse gosto estranho, lá no final da língua que me diz: "hum... aqui tem um pouco de realidade!?"
Lamber a (trans)piração da vida na pele da tua palavra me preocupa. O gosto meio-amargo da narrativa, a ironia agridoce da decisão "sair nunca mais".
Trago-te uma caixa de bombons lilazes e um sabiá na outra mão. Deixei-os do lado de fora da porta do teu quarto...
Bejoca!
Papoético
aturlitera.blogspot.com
poesia para todos os lados! bem envolvente. você sabe me envolver.
bj
Eu, que já li esse texto (contando com essa) seis vezes, que já havia lido antes de hoje mais cinco, e que nunca soube sobre ele o que dizer, (agora que a dor me consome) admito: era assim que eu gostaria de estar...
So pasando pra te dar um abraço
http://nacaraecoragem.blogspot.com/
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