Toda criança carrega (suporta) um grande desejo. O meu era matar pai e mãe.
Como, naquela época, eu ainda não tinha essas unhas amoladas, pedia ajuda a Deus: “por favor, permita que eles não voltem. Que o carro bata, exploda, caia num rio”.
Ah, alívio, sim, seria.
Estancaria o choro. Eu riria riso aberto, tomaria banho de chuva, andaria curvada e comeria brigadeiro de manhã. Colheria estrelas e cajá-manga pro jantar. Teria, pra sempre, meu útero vazio de pau de pai. E minha cara já não arderia de mão de mãe.
Liberdade, a libélula que entra pela janela.
Eu nasceria, sem meus pais.
29 / 08 / 2011
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*Caleidoscópio*
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Me pergunto em que esquina
se perdem os encontros
aquela fração de completude em que
se desdobram nossas delicadezas...
Em que...
7 outros delirantes
Devia mostrar esse texto para aqueles que dizem que criança é inocente.
personagens rodrigueanos, lembra?
bj
Me fez lembrar um conto do Marquês de Sade
belo escrito
abraço
seus textos são maravilhosos, sempre.
Pois é. A merda é que sempre há um adulto por perto pra estragar a festa. Mortos o pai e a mãe, haveria um tio, um avô... adultos, adultos, adultos.
Melhor faríamos matando todos os adultos.
Ótimo texto, Bruna.
Beijos
Uow!
Texto pra quem tem culhão. Você é boa, moça.
Te linkando pra voltar logo e ler o resto, que hoje é tarde, né? rs
Beijoca, menina arretada
Caramba. Muito bom.
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