segunda-feira, 7 de junho de 2010

Toda criança carrega (suporta) um grande desejo. O meu era matar pai e mãe.

Como, naquela época, eu ainda não tinha essas unhas amoladas, pedia ajuda a Deus: “por favor, permita que eles não voltem. Que o carro bata, exploda, caia num rio”.

Ah, alívio, sim, seria.

Estancaria o choro. Eu riria riso aberto, tomaria banho de chuva, andaria curvada e comeria brigadeiro de manhã. Colheria estrelas e cajá-manga pro jantar. Teria, pra sempre, meu útero vazio de pau de pai. E minha cara já não arderia de mão de mãe.

Liberdade, a libélula que entra pela janela.

Eu nasceria, sem meus pais.

7 outros delirantes

V.H. de A. Barbosa disse...

Devia mostrar esse texto para aqueles que dizem que criança é inocente.

On The Rocks disse...

personagens rodrigueanos, lembra?

bj

Juan Moravagine Carneiro disse...

Me fez lembrar um conto do Marquês de Sade

belo escrito

abraço

Laura Cohen disse...

seus textos são maravilhosos, sempre.

Fred Matos disse...

Pois é. A merda é que sempre há um adulto por perto pra estragar a festa. Mortos o pai e a mãe, haveria um tio, um avô... adultos, adultos, adultos.
Melhor faríamos matando todos os adultos.
Ótimo texto, Bruna.
Beijos

Sylvia Araujo disse...

Uow!

Texto pra quem tem culhão. Você é boa, moça.
Te linkando pra voltar logo e ler o resto, que hoje é tarde, né? rs

Beijoca, menina arretada

Ana Claudia disse...

Caramba. Muito bom.

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